sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Quando a imagem conta uma história, mesmo sem contar...


Foto de um cachorro vira-la e de rua na cidade de Santos em SP
Foto de um cachorro abandonado na beira de uma avenida de Santos/SP (Mariana Tavares)
DE QUEM É A RUA



É preciso coragem para ir adiante! Esse era o pensamento constante que rondava minha mente. Por diversas vezes me questionei, será que consigo. Na certeza dava o primeiro passo, na dúvida um leve recuo. Das respostas ao meu constante questionamento minha chance, talvez a única, mas certamente a chance.


Olhei para os lados e dei um passo, ops um ônibus veio em minha direção. Às vezes me pergunto porque não me vêem. Tentei novamente olhei para todos os lados incluindo o céu, cor muito forte quase me cegou. Era vermelho vivo o carro que passou. Pensei: ainda bem que recuei senão vivo mesmo não seria mais.


Nova tentativa e dois passos depois um necessário recuo evitando mais um quase certo atropelamento. Confesso que tive vontade de gritar: Ei vai mais devagar, dá um tempo aí, me deixa atravessar!!! Mas tive receio de que não me ouvissem. Olhei para os lados, nem sinal do trânsito parar, que vontade tive de ir ao semáforo apertar o botão e obrigá-los a parar. Mas cadê semáforo, cadê altura, cadê dedos?


Invejo os dedos humanos, mas para quê inveja de quem me usa como xingamento! Então continuo aqui até algum ser humano se solidarizar e parar para um CACHORRO passar.


Conto de Mariana Tavares

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

A difícil arte de escolher um tema

É interessante quando nos decidimos por uma temática. Algumas vezes fiz isso e confesso que consegui boas imagens focando exatamente o que eu queria ver. Creio que esse seja o ponto crucial dessa discussão, quando buscamos um tema, buscamos junto uma teoria, um jeito de defender uma idéia.
Da escolha de um tema nascem as exposições que nos levam a lugares inimaginados e permite que enfim defendamos com imagens a nossa tese.

Foto da Bebel minha linda gata vira-lata
Tenho buscado trabalhar com temas diversificados e isso vocês podem ver na minha galeria do Flickr http://www.flickr.com/photos/mari_m_tavares/, mas confesso que escolhê-los já define muito do que quero. Um dos meus temas preferidos são os vira-latas, sim aqueles simpáticos cães e gatos sem raça definida ou frutos das mais deliciosas misturas. Creio que nesse tema jogo minha paixão pela diversidade e o respeito àqueles que para muitos são desnecessários e que a mim se revelam extraordinários. Um pouco do meu espírito defensor dos "fracos e oprimidos".

Outro tema que busco sempre são as flores, em especial as orquídeas e árvores brasileiras. Confesso que aqui gosto das cores, da dualidade e da possibilidade de mostrar o detalhe, aquilo que ninguém vê e que nesse estar escondido é que mostra mais bonito.
Foto de uma orquídea tratada para ficar monocromática - visão dos detalhes
Indo além gosto do tema Mar e já ganhei até prêmio com fotos dessa temática. Aqui é meu espírito aventureiro e minha paixão por viajar que fala mais alto. A capacidade de parar o tempo e o mundo para contemplar é a tese que defendo nessas imagens, assim como a certeza de que o mar é diversão garantida para todas as idades.

Foto da praia de Copacabana vista do Pão de Açúcar: a princesinha do mar!
Por fim começo agora a trabalhar uma nova temática: Mundo em Miniatura é na verdade o início de um trabalho que pretendo evoluir para uma exposição e mostra as sutilezas, os detalhes e a encenação de uma coleção de kinder ovo. Confesso que a temática tem um pouco do meu amor pela Re, mas muito é a minha certeza de que aquelas coleções contam histórias, diferentes a cada um que lê as imagens. 

Foto de uma peça da coleção de Kinder da Re
 E você qual é a sua temática? Já pensou o que essa escolha pode dizer sobre você?

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Quando a vista não alcança

Fui ao casamento de uma prima em Minas Gerais. Na verdade sou obrigada a dizer que nunca havia tido um ano como o de 2011 - o maior número de casamentos na minha história social... Isso definitivamente precisa ser estudado!
Bem, mas vou falar hoje um pouquinho sobre casamentos. Sim, mais precisamente sobre o que a vista não alcança em um casamento específico. Minha prima Ludmila casou-se em maio com o Gismard. Tudo beleza, não fosse um mero detalhe: casamento de cidade do interior! Daqueles que todos se colocam no altar na hora das fotos. Diferente dessa coisa organizada e metódica das grandes cidades, no casamento de interior todo mundo cumprimenta os noivos no altar, inclusive os padrinhos e madrinhas (eu entre elas). O detalhe que a vista não alcança está justamente no respeito ao "sagrado matrimônio". De tão importante que é, tudo que é importante nele aconteceu na Igreja: o sim, os abraços, os beijos, os cumprimentos, a reverência e especialmente a certeza da escolha, do destino.
A Igreja é um capítulo à parte nesse casamento: foi construída pelo tataravô da noiva e só isso já a faria especial, mas é a imagem que nada diz sobre aquilo que a vista não alcança (fé, coragem, escolha, destino) que retrata com fidelidade aquilo que senti na cerimônia: no meio do nada, tudo pode acontecer!
A igreja da cerimônia em Rio Piracicaba (MG)