terça-feira, 18 de agosto de 2020

Amar e servir: um legado de vida

Sempre escrevi muito sobre os ensinamentos que meu avô Luiz me deixou. Hoje vai ser diferente!

Hoje, 19 de agosto, é um dia especial! Como todos os dias são especiais por algum motivo que às vezes nos escapa. Mas este é um dia de fé, amor, firmeza e vontade de servir e mudar as coisas! Hoje é um dia especial para quem faz e fez da vontade de servir ao próximo um lema de vida.

AMAR E SERVIR A IGREJA FIRMES NA FÉ!

Em tempos de tanta polarização, de tanto ódio que parece inundar redes sociais - e aqui vale lembrar que elas sempre foram feitas para unir e não desagregar - de tanta dor e tristeza pelas vidas perdidas nessa pandemia, em tempos difíceis a lembrança do amor e da fé são sempre motivo de muito alegria! 
E hoje são 56 motivos para celebrar. Fazem 56 anos que 80 pessoas se uniram pelo bem, pela caridade, pelo amor de Cristo na fé e na irmandade da Congregação da Doutrina Social Cristã da cidade de Alto Longá no Piauí!



Eu confesso, até para não cometer qualquer pecado em momento tão solene, que nunca fui muito da igreja. Verdades podem ser interessantes e me pergunto agora porque então celebrar 56 anos de uma congregação? Eu nunca fui de ir à igreja mas minhas avós sempre foram. E eu, vez ou outra de férias, as acompanhei na reza semanal quando estava com elas. Adoro os rituais, os fazeres e os saberes da fé. Mas mais ainda tenho um carinho danado por esse nosso Senhor Jesus Cristo tão esquecido nos tempos atuais e tão necessitado de nossas lembranças.

Então entendo que hoje é obrigatório celebrar esse aniversário para lembrar do amor! O amor, o trabalho em prol dos mais necessitados, a caridade, a fé e tudo que une e agrega que precisa ser lembrado em tempos difíceis. E vivemos tempos difíceis! Já são mais de 107 mil vidas perdidas no Brasil. No amado Piauí, da minha maravilhosa vó Osima, já são mais de 1600 pessoas que perderam a vida e mais de 65 mil que ficaram doentes. Amor e fé são essenciais quando a vida sofre tanto, quando a esperança se abala, quando a dor aflige. Tempos difíceis pedem remédio simples: AMAR E SERVIR...

Talvez, se nos lembrássemos mais de tudo isso, as coisas pudessem ficar mais leves nesse momento difícil. E foi por isso que resolvi escrever e dizer com todo amor e carinho que carrego no coração as palavras que tantas vezes minha avó, Osima Rodrigues Bacelar de Miranda, repetiu: 
AMAR E SERVIR A IGREJA FIRMES NA FÉ!

O lema da Congregação da Doutrina Social Cristã uniu minha avó e aquelas outras 79 pessoas que juntas criaram essa congregação naquele difícil ano de 1964. Verdade que não tínhamos uma pandemia, mas tinha a fome, a miséria e as dores do sertão que minha avó junto àquelas pessoas queria ajudar a amenizar.

Amar e servir eram mais que palavras bonitas. Amar e servir eram e ainda são o rejunte, o cimento, a cola, o elo, a conexão entre as pessoas que fazem a Congregação da Doutrina Social Cristã de Alto Longá. Minha avó Osima era uma das 80 pessoas que fundaram a congregação em 19 de agosto de 1964 e foi sua primeira vice-presidente. Hoje a congregação segue os caminhos da minha avó sob a direção cuidadosa da atual presidente Angelina Fernandes da Silva Moraes. Eu não conheço de perto, no dia a dia o trabalho que fazem, tenho apenas as memórias das palavras carinhosas da minha avó: "o bem minha filha, a gente sempre quer fazer o bem." O objetivo dessas mulheres que sempre fizeram e fazem a congregação era e ainda é um só: servir com amor, fé e dedicação aos trabalhos sociais da igreja fazendo pelo outro o bem que Cristo sempre ensinou.
Minha avó homenageada por congregadas nos 50 anos da congregação


Minha avó celebrando 50 anos da congregação

Minha avó no meio das congregadas

Amar e servir, palavras que eram para minha avó não um lema mas a própria essência da vida! A história da minha avó é a história da mulher sertaneja que ama a família a vida, as outras pessoas sem qualquer distinção e quem tem fé, muita fé. A minha avó era puro amor e acolhimento, algo que permanece vivo nas mulheres que ainda insistem em fazer o bem sem olhar a quem como Jesus ensina.
O pão compartilhado, o amor dividido, os sonhos realizados... 56 anos de trabalho, amor e fé, tudo o que hoje precisa ser resgatado!

Por isso resolvi fazer esse texto não apenas para dizer parabéns à Congregação da Doutrina Social Cristã de Alto Longá no Piauí, mas principalmente para resgatar no meu coração os valores que minha avó Osima carregou na vida como sua própria essência e sua azão de viver: AMAR E SERVIR! E, usando as palavras de Gilberto Gil, na fé que a fé não costuma falhar!

sexta-feira, 4 de maio de 2018

Sobre sonhos, bichos e amor!

Há um tempo atrás divulguei para meus familiares e amigos que estava caminhando para a realização de um sonho.

E, por mais estranho que possa ser para algumas pessoas entender algo assim, sonhos não se realizam como em contos de fadas!

Na maioria das vezes precisamos fazer muito mais do que mágica e negociações com nossa fada madrinha, precisamos de apoio para alcançar realizações.

Ainda tenho uma infinidade de sonhos como por exemplo ter filhos, saltar de paraquedas, fazer minhas exposições fotográficas, escrever muito mais, virar professora, me tornar uma cozinheira de verdade, ser sommelier, escrever uma letra de música, aprender a desenhar, ver minha avó chegar aos 100 anos, publicar muito mais e tantos outros que não consigo relatar todos. Mas são apenas sonhos...

Lembro de minha vovOsima que foi uma das primeiras a acreditar nessa infinidade de sonhos que carrego. Ela me disse certa vez que sonho é apenas o nosso coração gritando quem somos. Ela sempre teve razão!
O cachorro praiano que encantou minha vovOsima!
Com toda essa razão, minha avó foi uma das primeiras pessoas a me dizer que eu deveria publicar um livro com minhas fotos de bichos. Ela viu certa vez uma foto que fiz de um cachorro na praia. Essa foto estava entre outras de uma viagem que fiz ao Nordeste e ao vê-la minha avó falou: parece gente me falando como é bom viver na praia! Eu respondi que tinha certeza que era isso que ele tinha me dito e que eu havia transformado em poesia. Ela me ouviu dizer a poesia pra ela e falou: um completa o outro. Suas fotos e suas palavras merecem um livro.

Eu apenas sorri! Naquele momento ela não sabia mas estava me dando toda a força que eu precisava para as fotos virarem algo mais! Ainda naquele distante março de 2007 ela me disse também que meu avô Luiz adoraria fazer parte do livro se ainda estivesse bem na hora que eu fosse fazê-lo. Ela também tinha razão nisso. Infelizmente meu avô faleceu naquele ano e nunca consegui que minhas lentes o captassem cercado dos felinos que ele tanto amava!

O tempo passou e um pouco antes da morte do meu avô conheci a minha mulher, uma inveterada apaixonada por bichos. Tão apaixonada que cuida de todos que consegue. São Francisco é seu santo preferido! Os animais sua melhor companhia. E ela nisso ainda lembra outra pessoa que é fundamental na minha vida. A minha avó Ana tem nos seus cachorros os companheiros fiéis na sua luta para chegar aos 100 anos! O amor vira-lata se tornou uma certeza que elas sempre trouxeram para minha história. Tão cercada de tudo isso foi impossível não buscar nas imagens e nas palavras uma tradução do que são para mim os vira-latas da vida! Fazer um livro foi só um detalhe!
Regina mudou minha vida com tanto amor pelos vira-latas!
No livro trago um pouco daquele olhar poético que minha avó Osima encontrou antes de mim. Trago o amor instigante, diferente e corajoso do meu avô Luiz pelos felinos e pelos animais que lutam pela vida nas ruas. Trago o cuidado e o afeto tão constantes na minha mulher Regina e na minha avó Ana, que fazem dos companheiros animais companhias de vida. Trago o respeito e a vontade de viver que os vira-latas e brasileiros compartilham. Trago um sonho que ganhou nome e história. Trago o Amor Vira-lata!

E porque trago tudo isso quero fazer desse sonho a construção de muito mais! Quero não apenas publicar um livro, quero lançar uma ideia, quero sonhar junto, quero fazer diferença. Por isso quero contar com você para juntos realizarmos não apenas o meu sonho mas mudarmos um pouco do mundo. Escolhi para isso a colaboração e a construção coletiva. Com o apoio de amigos, familiares, sonhadores e idealistas quero publicar o livro com a sua contribuição e poder com isso torná-lo uma obra de todos que lutam pelo combate à violência e ao abandono dos animais. Vamos juntos fazer um sonho virar realidade?

sexta-feira, 27 de março de 2015

Sensor de luz, nosso filme fotográfico atual

O sensor de luz é o filme fotográfico das máquinas digitais. Antigamente as máquinas fotográficas registravam as fotos com a gravação da luz em filmes. Os filmes desenhavam a imagem a partir da quantidade de luz para receber versus a recebida. Atualmente com as câmeras digitais, as imagens ficam armazenadas "na memória", mas o princípio da luz continua muito semelhante ao do filme. E a diferença aqui está no fato de que a captação da imagem, antes no suporte filme, agora acontece no suporte chamado Sensor de Luz.

O sensor de luz é um componente eletrônico da máquina fotográfica que recebe a imagem fotografada e converte essa imagem em pixels, um tipo de formato em arquivo digital que será armazenado na memória da máquina ou do cartão fotográfico. Ao contrário do filme, nós não tocamos no sensor, mas ele fica na mesma posição em que ficava o filme antes. E é fácil nos lembrarmos que quando tirávamos a foto o filme rodava, trazendo para o centro o espaço vazio para a próxima imagem. Esse princípio se mantém e quando fotografamos hoje o sensor não "roda", mas manda a foto para o processador e a câmera fica pronta para a próxima imagem a ser captada.

Mas então todas as máquinas tem sensores iguais?! Não! Existem dois tipos básicos de sensores (CCD e CMOS) que se diferem pela tecnologia utilizada em cada um. Mas na prática entre eles não existe uma diferença significativa no resultado final, a não ser em situações de muito pouca luz (CCD se sai melhor) e no consumo de bateria (CMOS se sai melhor). Além das tecnologias, os sensores se diferenciam também pelos tamanhos de cada um. Eles podem ser Fullframe ou Crop. E nesse caso tamanho é sim "documento".

O tamanho do sensor é na verdade o que fará a grande diferença nas fotos e na qualidade da máquina escolhida. Quanto maior o sensor de luz, maior será a nitidez e a qualidade da imagem final. Para explicar melhor vamos imaginar uma mesma imagem feita com duas câmeras iguais que tenham apenas o sensor diferente. O sensor maior capta mais imagem do que o menor, ou seja um tamanho, um espaço maior de imagem. Um exemplo visual bem bom pode ser visto no Dicas de Fotografia. A esse corte que tira laterais da imagem damos o nome de Fator de Corte, muito bem explicado no texto do link.

Sensor ao fundo
E é esse espaço não fotografado que faz diferença nas famosas câmeras full frame. Elas possuem sensores de 35mm, equivalente às câmeras de filmes em rolo 35mm que são usadas inclusive para filmes cinematográficos. Tradução simples: uma câmera full frame é para quem vai tirar fotos para outdoor ou captar imagens que serão expostas em telas no tamanho de telas de cinema.


Você pode me perguntar: e as câmeras maiores que full frame, existem?! Sim! Mas estão tão longe do meu pequeno universo (financeiro e de qualidade fotográfica, hehehe) que nem me arrisco a falar sobre elas.

Por fim, acho importante destacar que a escolha do sensor depende mais do objetivo de suas fotos do que do dinheiro no bolso. De nada adianta investir em uma fullframe para fotos de família, porque você nunca vai fazer uso integral do tamanho disponível para sua foto. Da mesma forma se o seu objetivo é produção de imagens de grande escala não adianta economizar na máquina e perder na foto! Veja a lista das câmeras e o tamanho do frame:
  • Uma compacta como a Sony Cybershot tem um sensor de 7.2 x 5.3 mm (esse é o tamanho do quadro captado)
  • Uma câmera DSLR como a Canon 20D tem um sensor de 22.5 x 15.0 mm
  • Uma câmera SLR como a Nikon D5100 tem um sensor de 23.6 x 15.6 mm
  • Uma câmera como a Canon 5D Mark II tem um sensor de 36 x 24 mm - full frame
  • Uma câmera como a Nikon D3X tem um sensor de 35.9 x 24 mm - full frame
E lembre-se sempre que uma máquina precisa de lentes e se uma full frame é cara, as lentes dela também são. Mas a verdade é que nada dessa conversa fará qualquer diferença se quem estiver por trás da câmera não souber usar a técnica e/ou o coração!

segunda-feira, 16 de março de 2015

Luz, a essência da fotografia

Quando pensamos em Fotografia e nos seus princípios básicos, normalmente nos concentramos em entender uma foto como um desenho de luz. Assim, a foto é a representação de algo feito a partir de uma pintura ou um desenho, mas feito com luz. Talvez os Jedis e seus sabres fossem capazes de decifrar melhor essa questão.
Entrada do Jardim Botânico no Rio baixa luz
Nesse contexto podemos definir que a luz e a ILUMINAÇÃO são a alma da fotografia, o pincel com o qual o artista da máquina elabora sua obra. Entender esses princípios é o primeiro caminho para uma boa foto. Mas como utilizar os pincéis de que um fotógrafo dispõe. Como prever, calcular e fazer nossas fotos com a exata quantidade de luz necessária para o que queremos transmitir.
Mais luz na entrada do Jardim Botânico do Rio
O primeiro ponto é entender os mecanismos que regulam a luz na máquina. Assim como nossos olhos que se abrem e fecham para a claridade a máquina dispõe de mecanismos semelhantes. Eles funcionam como nossas pálpebras, retinas, íris etc. Também como nossos olhos as máquina possuem lentes, filtros e outros equipamentos semelhantes aos nossos óculos escuros, lentes de contato e outros mecanismos que controlam a quantidade de luz que nossos olhos absorvem.
Ao longo das nossas próximas postagens vamos entender um pouco melhor cada um desses mecanismos e como utilizá-los. Vamos começar pelo obturador, depois falaremos do diafragma, do ISO, da velocidade ou tempo de exposição, das lentes, dos filtros e por fim do flash e das luzes de estúdio.
Mas antes de tudo isso, precisamos falar um pouco sobre a luz que queremos captar, a imagem que queremos transmitir. Uma imagem mais escura pode transmitir sobriedade, medo, receio, vazio, solidão. Uma imagem mais clara pode ser a tradução de algo mais vivo, mais alegre, mais intenso e ao mesmo tempo menos sério, menos rígido. Essa decisão independe da mecânica e dos equipamentos da máquina. É uma escolha do fotógrafo. É preciso saber qual mensagem queremos transmitir.
A escolha inicial que se faz a partir da mensagem que queremos transmitir é o primeiro passo para a escolha da iluminação necessária de uma foto. Se queremos destacar a aridez de um local, a claridade ajuda nessa sensação de seca enquanto as sombras traduzem o sentimento opressor que a seca nos causa. Uma mesma imagem mais clara traduz um sentimento diferente daquela mesma imagem mais escura.
Aqui no blog já falamos um pouco sobre essa difícil escolha no post Entre a luz e a escuridão. Entender o que queremos já é meio caminho para nos ajudar. Só depois podemos escolher melhor quais ferramentas e como utilizar cada uma delas. Os passos seguintes nós veremos aqui nos próximos dias.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Escolha inevitável


Sinceramente não me considero uma fotógrafa profissional; tampouco, acho que estou num patamar de conhecimento técnico e econômico sobre máquinas fotográficas que me permita criar uma classificação para elas. E ainda assim sou referência para meus amigos no assunto. Frequentemente sou questionada sobre um tema cada vez mais frequente: Mari, que máquina você acha que devo comprar para tirar umas fotos maravilhosas?
Entre um arrepio de medo e a sensação de que a pergunta foi errada minha resposta invariavelmente é: depende do que você quer? O que fará sua foto bonita não é necessariamente a máquina que você vai comprar. E sinceramente, essa é a melhor resposta de todas e a verdade mais absoluta.
Foto de menino à beira do mar em Jericoacoara.
Foto minha  feita com máquina compacta simples.
A beleza e a qualidade de uma foto dependem muito mais de outros fatores, como a luz, o tema, o enquadramento, e não apenas de qual máquina estamos usando. É claro que uma boa lente é fundamental, mas as câmeras compactas já contam com boas lentes.
Também sabemos que depois de certa experiência o tipo de máquina conta muito. Também é óbvio que se sua máquina não possui uma boa variedade de possibilidades para as fotos elas podem mesmo não ficar boas. E para completar, também é sabido que se ela travar ou apresentar outros problemas técnicos de nada vai adiantar uma máquina que não fotografa direito ou que estraga sempre. Tendo dito isso vou listar algumas dicas importantes:
Antes de qualquer coisa, saiba exatamente onde você se encontra no assunto fotografia e o que deseja da máquina. Isso significa que se você nunca pegou uma máquina na vida, não conhece nada de enquadramento e não entende bulhufas de luz, invista em um modelo mais simples para aprender o básico. Comece tirando fotos de uma mesma imagem em momentos diferentes para entender a diferença que faz a luz em uma imagem. Depois tire fotos de um mesmo objeto de diversos ângulos e posições e vá aos poucos se familiarizando com o conceito de enquadramento. Só depois disso invista em fotos mais artísticas que lhe permitirão brincar mais com esses elementos.
Se o que deseja de uma máquina é fotografar as festinhas da sua casa e as férias com a família sem grandes expectativas, também não precisa gastar rios de dinheiro comprando aquela máquina ultra mega hiper cheia de recursos e destinada ao profissional área. A verdade é que você vai gastar um bom dinheiro para usar apenas 10% dos recursos disponíveis na máquina, manter o uso no automático e não aproveitar as possibilidades de exercer a criatividade tão exigida por uma máquina assim. Nesse caso minha recomendação é, escolha uma 90% menor, 90% mais fácil e normalmente 80% mais barata!
Foto de gato à meia luz à noite
Foto feita com máquina semi-profissional equilibrando luz durante a noite.
Por fim, se sua intenção é se tornar verdadeiramente um ás da fotografia, comece hoje mesmo pelo primeiro passo e evolua até ser capaz de encarar um bom curso sem achar que viajou para outro planeta. Aprenda sobre diafragma, abertura, velocidade, ISO, equilíbrio de brancos, uso do flash e só depois compre a máquina um na escala dos seus sonhos. Aprenda todos os recursos, teste tudo e só depois parta para a próxima e assim por diante. E sempre escolha a próxima máquina de modo a aproveitar as lentes e os equipamentos de apoio da anterior.
Se depois de tudo isso ainda fica uma exigência de marcas, preços e tipos; costumo responder: Eu prefiro não escolher por você. Cada um segue seu caminho nesse assunto, mas busque de verdade informações como durabilidade, custos de manutenção (pilhas, equipamentos de apoio, lentes, assistência técnica etc, etc, etc.). Também vale a pena ouvir a opinião de outras pessoas e testar as máquinas antes de comprar. Escolha sempre considerando o seu objetivo. Em tempos de Instagram e celulares com mil recursos pode ser inútil investir em fotografar se o que você quer é só compartilhar a galera.
Completo esse post com duas leituras interessantes: Se você quer uma câmera para viajar, curtir a família e compartilhar a galera vai adorar ler este aqui. Mas se o seu negócio é ir além e se você já passou desses estágios e quer se decidir entre uma câmera profissional ou semi, veja este outro.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Temperatura de cor - a mágica de criar o clima

É engraçado pensarmos em um quesito que para muitos amadores foge de suas capacidades, ou até mesmo daquilo que gostam de se preocupar. A maior preocupação de grande parte dos fotógrafos amadores está no enquadramento ou no foco. Com isso perdem grandes oportunidades de criar climas e deixar claras suas intenções por não se preocuparem com coisas básicas e de extrema relevância. E um desses fatores é a Temperatura de Cor da foto.
Cena do filme Fargo, frieza no tom!
Cena do filme Fargo
Como parte dessa discussão de hoje vou lhes dar de presente um link para um curso online sobre temperatura de cor. Para destacar a importância do tema ele aborda dois filmes de características bem distintas nesse quesito. O frio Fargo e o quentíssimo Faça a coisa certa. No primeiro os tons frios e o excesso de branco e cinza deixam claro a intenção da fotografia, criar um clima de relativo distanciamento que provoca no espectador a sensação de que ele está investigando os crimes. É necessário um afastamento para ser capaz de avaliar e julgar as situações com mais clareza. Os tons frios criam esse afastamento ao mesmo tempo que criam também a necessária imagem de frieza e calculismo de um sequestro forjado.
Cena do filme Faça a coisa certa
No outro contraponto Faça a coisa certa, de Spike Lee, é quente e provoca os sentimentos mais intensos no espectador, trazendo a tona mais sentimentos do que análise e avaliações. Assim o abuso de tons quentes e a busca pela imagem de alto contraste provocam os instintos e não a racionalidade humana.
Foto de Mariana Tavares com temperatura ajustada para esfriar imagem e criar distanciamento e/ou transmitir tristeza.rFoto de Mariana Tavares mostra alegria e intensidade no caminho do mar!No cinema talvez pareça mais fácil entender essa dualidade e essa diferença fique mais evidente do que na fotografia estática. Mas é nessa segunda que nasce a intencionalidade do que se quer revelar. Se eu quero contar uma viagem que foi triste, que teve momentos de desesperança ou quero provocar o afastamento do meu espectador ante a imagem revelada - não necessariamente o afastamento é ruim - a foto da minha viagem deve ser fria, distante e sem contrastes intensos. Se quero o contrário mostrar muita alegria e intensidade, aumento o tom e a temperatura de cor e deixo isso claro. Nem sempre a alegria e a intensidade são boas também. Tudo sempre depende do que queremos mostrar e uma mesma imagem muda radicalmente quando sabemos o que queremos dizer.
Que tal aprender um pouco mais sobre isso?! Deixo a porta aberta!

http://filmmakeriq.com/courses/the-history-and-science-of-color-temperature/

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Um álbum de viagem

É impressionante como algumas mudanças transformam por completo nossa vida! Há vinte anos fiz uma viagem em família – eu, meus pais e meu irmão – e passamos mais de vinte dias percorrendo as capitais do Nordeste. Ao todo foram 7 estados, umas 10 cidades e pelo menos umas 40 praias diferentes. Para completar foram várias visitas a igrejas, fortes e outros pontos turísticos. Ao final um saldo extraordinário de quatro rolos de 36 fotos e a bagatela de quatro álbuns.

Os antigos álbuns de viagem da família priorizavam as pessoas nos lugares
Eu em passeio no Delta do Parnaíba - os antigos álbuns
 de viagem tinham foco nas pessoas nos lugares. Poucas
fotos traziam só a paisagem ou algum detalhe do lugar.

Agora, tenho saldos bem diferentes das minhas últimas imagens. Para a Europa, por exemplo, em 16 dias, dois países, duas capitais (Roma e Paris), três cidades da Toscana (Florença, Lucca e Pisa) e a pequenina mudança de máquina fotográfica (agora digital) tive um tsunami no meu álbum de fotos. Como mostrar às pessoas a bagatela de 4.537 imagens e mais alguns vídeos? Não há álbum que suporte tantas imagens e nem olhos capazes de em uma sentada achá-las interessantes. Resultado, uma compilação, um vídeo agregando todas e uma infinidade de amigos cobrando as imagens que não foram reveladas ainda nas diversas redes sociais.
A simples mudança de ferramenta fotográfica mudou radicalmente o jeito das pessoas viajarem. Antes em cada lugar que chegávamos ficávamos horas absorvendo aquela atmosfera até que fôssemos capazes de escolher o melhor ângulo, o ponto que traduziria com perfeição aquele lugar. Sem muitos arroubos, segurávamos com firmeza a máquina, mirávamos no lugar certo e “clik, rrrresch” pronta para bater a próxima foto, no próximo ponto turístico ou praia.
As fotos do lugares e de detalhes ou posições diferentes são típicas nos álbuns atuais de viagens
Catedral de Notre Dame de um ponto de vista diferente -
As fotos dos lugares e de detalhes ou posições diferentes
são típicas nos álbuns atuais de viagens
Agora as pessoas viajam e passam o mínimo de tempo necessário para o máximo de fotos de cada lugar. Na Europa cheguei a observar cenas cômicas de grupos de turistas que olhavam para um lado e miravam a máquina para o outro. Assim conseguiriam ter todos os detalhes. Mas será?! Eu me pergunto se o ideal é mesmo esse ou se o ideal é o clique certeiro.

Sejamos sinceros; nem 8, nem 80; o ideal é olhar, sentir, viver e se der tempo fotografar vários cliques certeiros ou várias vezes o mesmo.
Quer ver mais fotos das minhas viagens visite minha galeria no Flickr.

domingo, 28 de julho de 2013

Um pouco de moda e vitrines, imagens diferentes

Quando estive na Europa, uma das coisas que mais me impressionou foram as vitrines. Verdade que estava também preocupada em fotografá-las para mostrar à minha mãe, uma especialista no assunto. Acabei fazendo um pequeno vídeo com essas imagens que agora mostro a vocês.
Moda, é assunto impressionante e impactante para quem viaja muito porque as vitrines temmuito impacto,como a famosa vitrine da Tiffany na Quinta Avenida em Nova York.


Mas a moda nasce de algo bem mais simples, a costura que se junta à cultura do local e do momento. Como não sou especialista, deixo para Glória Kalil maiores explicações e para o  o blog Be a Bá da Costura os ensinamentos básicos para quem quiser se aventurar nas máquinas do mundo da costura.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Quando a foto vira desenho - 2


Foto de uma micro orquídea sem qualquer tratamentoA transformação de uma foto em desenho contraria o próprio princípio da arte do manejo dos pincéis. Quando pensamos em desconstruir e reconstruir uma imagem muitas vezes temos que ter a consciência de que ao fazermos isso estaremos resignificando a imagem. Mas além do próprio pensar essa modificação ela exige algo mais: conhecimento.

Já decidimos que o melhor jeito de mostrar uma imagem é transformar em desenho uma imagem, mas como fazer isso?

Mesma foto anterior transformada em um desenho que mudou sua significação original.São dois os caminhos possíveis e nesses dois outros tantos. O primeiro consiste em a partir de uma imagem reconstruí-la como um desenho. Pegamos a foto, traçamos por cima dela – com papel vegetal – o desenho e a partir disso podemos modificá-la com outros tons, imagens, cores e até mesmo outras formas. Eu fazia exatamente assim quando era criança. Hoje esse mecanismo é bem possível em programas de desenho no computador, onde colocamos a imagem e com o mouse desenhamos por cima dela, modificando o traço.
 
Também podemos converter uma foto em vetor (traço) e a partir disso modificá-la. A outra, totalmente diferente é utilizar apenas os mecanismos do computador e os softwares de tratamento de imagens. Aí, nesse caminho o buraco é um pouco mais embaixo.

Na reconstrução da imagem pelo photoshop o caminho passa pela total descontrução da imagem anterior. Não estamos copiando e modificando seu traço e cores apenas, muitas vezes estamos mudando a estrutura e o próprio conceito da foto tirada, focando em um detalhe, em uma sombra ou muitas vezes em uma forma que nem estava na imagem original. Outras pessoas, certamente são mais capazes de ensinar o como se faz de cada técnica e darei a elas o direito de ensiná-los. A mim cabe apenas levantar o debate e colocá-los pra pensar nas possibilidades. Hora de fazer o seu.









terça-feira, 23 de julho de 2013

Quando a foto vira desenho


Foto de uma orquídea tratada e transformada em desenho.Transformar uma foto em desenho é um trabalho nem tão complicado (um conhecimento bem básico de photoshop garante esses caminhos), mas garantir que essa foto ganhe destaque é sim um difícil processo. Primeiro porque nem sempre conseguimos definir nos traços criados o movimento e a dimensão que a imagem deve ter e segundo porque muitas vezes diante do desenho nos sentimos menos arrepiados e mais soltos. O traço do desenho atrai pela leveza e pela sensação “divertida” que provoca, enquanto o traço da foto atrai pela força e pela realidade que impacta o olhar.

Por essas e outras antes de transformar foto em desenho precisamos definir o propósito dessa transformação. O que queremos é apenas mostrar a foto de um jeito diferente, mais leve e divertido ou queremos construir outra imagem totalmente diferente.
Foto do Congresso tratada para desenho.
Só a partir desses rumos podemos escolher qual o melhor caminho para essa transformação. Se reconstruímos uma nova imagem com traço desenhado igual a anterior ou com poucas diferenças ou se fazemos algo totalmente novo e reformulamos a ideia original. Mas o importante é entender que qualquer que seja o caminho escolhido, a imagem ainda terá um significado próprio e diferente da imagem que a originou.

Hoje apresento dois trabalhos que fiz, tanto as fotos como os desenhos originados delas. Futuramente alguns caminhos para essas transformações.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Paisagem, o retrato de um lugar

A imagem muitas vezes é comum, retrata o que muitos já viram e algumas vezes nem tem nada de especial, mas ainda assim fascina. A foto de paisagem é um dos tipos de foto mais comuns, mas nem por isso mais fácil. Achar o equilíbrio perfeito entre o pedaço que se quer mostrar, a luz do momento exato e a "cara" do lugar escolhido nem sempre é tarefa fácil.

Foto de lago no Zoológico de Brasília, no fim de tarde com filtro em P&B.
Paisagem no Jardim Zoológico de Brasília - a mudança para P&B aumenta o impacto da foto.


Paisagem que mostra o caminho no parque Villa Borghese em Roma, Itália.
Parque Villa Borghese em Roma - o caminho é o destaque
na paisagem
Por ser uma imagem muitas vezes comum procuramos situações e até mesmo idéias que possam diferenciar nossa foto das demais, mas isso nem sempre é possível. Então como ser diferente quando temos tudo para ser igual? Uma boa sugestão é brincar com a luz, mudar o ângulo comum e buscar elementos que modifiquem e quebrem a rotina daquela paisagem. E mesmo assim não se assuste se ao final você não gostar nadinha do que vê.

Outra possibilidade interessante é buscar contar uma história no meio daquela paisagem. Isso pode definitivamente fazer diferença na imagem que você mostra. Uma paisagem mostrando montanha e mar é bela, fascinante e comum. Mas uma paisagem mostrando um caminho quase infinito pode ser uma história diferente. Mas o principal é não ter medo de testar, e de buscar paisagens inexploradas, você pode se surpreender com o que é capaz de criar.

Foto que mostra a cidade de Paris vista do mirante em frente a Sacre Coeur. Detalhe na foto mostra ponta do telescópio usado no mirante.
Paris vista da Sacre Coeur - o desfoque, o P&B e os detalhes
que contornam a imagem mudam a paisagem



quinta-feira, 11 de julho de 2013

Entre a luz e a escuridão





A luz que me modela
Traz as sombras do que fui.
O fascínio do que vivi,
Nos contornos que revelo,
Segue além de mim.











A fotografia é a capacidade da luz ser absorvida por um objeto ou suporte. Esse é o princípio básico do mecanismo fotográfico. Ou numa definição mais complexa, FOTOGRAFIA é uma palavra de origem grega que significa desenhar com luz e contraste. É a técnica de criação de imagens por meio de exposição luminosa, fixando-as em uma superfície sensível.
Nesse contexto é impossível pensar em uma imagem que não seja resultado do jogo fabuloso de luzes e sombras. Mas é quando esse jogo se torna a essência da imagem que ele ganha o merecido destaque. Eu particularmente gosto muito dessas imagens que misturam esse jogo de luz e sombras e costumo fazer muitas fotos assim. E nesse fascínio que esse jogo nos proporciona podemos educar o olhar para outras imagens que nascem dessa fantasia.




terça-feira, 9 de julho de 2013

É sempre o momento exato?!

Foto tirada no trajeto Brasília - Goiânia. Retrato do instante do fim da tarde no cerrado Brasília.
Os reflexos das árvores secas na água criaram a ilusão "fantasiosa" de outras árvores.
Uma imagem fotográfica reflete essencialmente um momento, mas também pode ser o retrato de uma ideia, de um sonho, ou de uma fantasia. Poucas são as imagens que naturalmente traduzem o momento exato e também a fantasia. Isso porque a fotografia nasceu de um princípio básico: de que é um registro de um instante. Com o tempo ganhou status de arte (nas mãos de alguns fotógrafos fabulosos), mas não deve abandonar seu princípio básico sob o risco de se tornar o que não é: apenas uma obra de arte. E nesse contexto o “apenas” se encaixa perfeitamente.

Para mostrar exemplos de fantasia e momento muito bem encaixados, um pouco de Elliott Erwitt: http://www.mdig.com.br/index.php?itemid=28301

quarta-feira, 26 de junho de 2013

COMO VER O QUE ACONTECE, OU COM QUEM EU QUERIA VER



Netos cantam no aniversário de 80 anos do meu vô Luiz
Ontem, 25 de junho de 2013, meu avô Luiz Miranda faria aniversário (89 anos)! E, em tempos de revolta e tanta discussão política nas ruas, tenho me lembrado muito dele. Eu tenho me perguntado duas coisas básicas: o que ele acharia dessa mobilização social com cara de gigante acordado e jeito de moleque assustado?, e o que ele diria ao assistir os jornais?

Meu avô foi o homem mais politizado e coerente que conheci – seguido bem de pertinho pelo meu pai – e apesar de não concordar com todas as suas ideias, sou obrigada a concordar que elas tinham, todas, fundamento.  A capacidade de fundamentar e de estruturar o pensamento era uma das maiores qualidades do velho Luiz. E com ele aprendi que jornais mentem, que a TV nem sempre está certa e que conhecimento nunca é demais, desde que a gente saiba usá-lo. Sei que nisso costumo falhar com mais frequência do que eu gostaria.

Lembro com carinho da minha primeira viagem sozinha ao Piauí . Foi uma viagem que meu padrinho me levou e eu passei vários dias na casa dos meus avós. Sinceramente não lembro de tudo, até porque eu só tinha três anos, mas tenho uma lembrança especial do meu avô discutindo os jornais com o povo daquele fim de mundo que era Demerval Lobão há mais de 20 anos. Ali aprendi que tinham pessoas que assistiam e pessoas que viam televisão. No primeiro grupo, aqueles capazes de analisar criticamente o que viam e assim eram também capazes de apreender, considerar e por fim aceitar aquilo que lhes convinha. No segundo grupo, aqueles que recebiam a informação e apenas a armazenavam sem qualquer avaliação e portanto não eram capazes de separar joio de trigo.

Meu avô assistia, na sequência, quatro jornais – primeiro o nacional da Band, seguido pelo local do PI, o Nacional da Globo e  por fim o nacional do SBT. Nos intervalos se dividia entre responder as perguntas que minha vó fazia e atender os vizinhos com suas perguntas também. Ao final um apanhado geral e encerrava com uma frase que me marcou muito: de hoje posso tirar tal coisa como produtiva. Amanhã outro dia. Eu achava aquilo muito engraçado.

Depois dos jornais ele fechava portas, janelas (eram janelas grandes de madeira que cobriam quase a parede inteira), mandava minha vó me colocar pra dormir e dizia: “Deus lhe abençoe e lhe ensine a assistir o mundo passar na sua frente”. Eu não entendia nada, mas achava legal ele dizer. Mais divertido ainda era quando meus tios ou tias assistiam junto, eles discutiam como se estivessem numa plenária. Eu acho que todos os presidentes devem agradecer por não terem tido a necessidade de discutir algo com eles. E o Brasil deve lamentar!
 
Naquelas férias descobri que meu avô convencia pessoas e aprendi o que era um líder. Tenho certeza que se ele fosse vivo, e com toda aquela capacidade daquele tempo, seria capaz de me traduzir cada movimento do enorme tabuleiro de xadrez que estamos vendo. De um lado políticos vorazes e desesperados pelos votos que podem ser engolidos durante as manifestações e, do outro uma sociedade que ainda não escolheu direito seus direitos e nem exerce com presteza seus deveres. No meio, analistas tão perdidos como os moleques que querem ser gigantes.

Meu avô provavelmente diria: “de hoje posso tirar que agora as máscaras serão reveladas, na hora de fazer a vontade popular e isso já é positivo, mas amanhã é outro dia e o povo que nunca mais saia da rua.”

A benção vô e parabéns sempre!

Para completar a homenagem o poema que fiz no dia em que você partiu...

Adeus a um velho
(Homenagem ao meu avô Luiz Miranda)

Um velho pede passagem.
E devo a ele um sincero obrigado!
Um velho negro, belo e simples
Que se despede sem medo ou receio.
Diz que seu tempo aqui findou.
E na alegre certeza do acerto
Sorri levemente na despedida.

Deixa um aceno singelo,
Uma benção guardada,
Um carinho sincero,
A despedida esperada.

Um velho diz a que veio.
E na certeza  de ter feito o melhor
Diz que seu tempo acabou.
E parte para  chegar ao seu lugar
E encontrar o povo seu
O povo que um dia o deixou.

Um velho na idade,
Velho no tempo vivido,
Jovem no jeito da vida
Que sem medo viveu.

Um velho pede passagem.
E cercado do amor que um dia ensinou,
E que na verdade mais aprendeu,
Ele enfim diz adeus.
E se despede das dores e mágoas
Que lhe encheram o peito
E algumas vezes o copo,

E que deixaram no velho suas marcas,
Na cabeça branca,
No fígado grande,
No corpo doente,
Na mente que serenamente
E devagar se despediu antes do velho.

O tempo passou para o velho.
E vai passar também para os que ficaram,
E que irão, novamente, o velho encontrar.
E quando esse dia chegar
Dirão singelamente ao velho:

Obrigado velho!
Por ter nos deixado
Fazer parte da sua vida
Por ter nos ensinado a acreditar
A pensar, e a viver
Por ter nos permitido errar
E ensiná-lo a amar e morrer

Obrigado velho!
Por ter nos colocado no mundo
Por ter nos deixado entrar no seu
Por ter nos mostrado como ver
O mundo.

Obrigado velho!
Por nunca ter morrido
Por ter permanecido na nossa história
Mesmo depois de tudo
E principalmente por esse tudo.

Obrigada velho!
Por ser meu avô,
Pai da minha mãe
Avô do meu irmão
Genro do meu pai
Marido da minha avó!

Obrigada velho!
Por tão serenamente
Ter pedido passagem.


Mariana Miranda Tavares
17/07/2007


terça-feira, 16 de outubro de 2012

O princípio do photoshop ou apenas bom senso?

Foto feita com IPhone da Esplanada dos Ministérios
em Brasília (Mariana Tavares)
Estou, como faço com certa frequência, relendo Cecília Meireles. Releio, todos anos, essa grande poeta, outro igualmente grande - Drummond, e também Dom Casmurro. Mas esse post nada tem a ver com minhas leituras de cabeceira, mas com o que uma releitura é capaz de proporcionar.


Relendo Cecília me deparei com um poema fabuloso, simples e direto. Podem mexer na fotografia, só não se pode mexer na alma que a constrói e a torna o único retrato de um momento. Simples assim! Cecília deixa claro a necessidade de garantir que no futuro possamos nos reconhecer naquele velho retrato, ainda que não saibamos mais se tínhamos mesmo aquele rosto, o importante é sabermos sempre a alma por trás das manipulações e modificações de uma imagem.
Mesma foto com alguns filtros ganha contornos
mais dramáticos. Será mesmo mera ilusão?!
Na mesma linha li uma reportagem da revista Veja dessa semana sobre uma exposição no museu Metropolitan em Nova York sobre fotos manipuladas na era pré-photoshop que mostra o princípio das manipulações e como elas tinham uma função específica que ainda hoje permanece: o dom de iludir! Mas o principal é que a fotografia continua sendo o nosso melhor de dizer o que pensamos e quem realmente somos! Mesmo na era do photoshop ela ainda é um bom caminho para a realidade, ainda que repleta de ilusão!
Ahh e claro, teremos poesia!



ENCOMENDA 
por Cecília Meireles

Desejo uma fotografia
como esta - o senhor vê? - como esta:
em que para sempre me ria
com um vestido de eterna festa.

Como tenho a testa sombria,
derrame luz na minha testa.
Deixe esta ruga, que me empresta
um certo ar de sabedoria.

Não meta fundos de floresta
nem de arbitrária fantasia...
Não... Neste espaço que ainda resta,
ponha uma cadeira vazia.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

A imagem poética musical

O som é capaz criar uma série de imagens e de construir com isso sensações e emoções diversas. Há alguns dias tive a enorme alegria de reencontrar no som um grande amigo. Desses amigos que não se perde pelos becos da vida, apesar de podermos encontrar nesses mesmos becos. Amigo de vida, de alma, de trocas e de poesia, amizade única. E em homenagem a esse reencontro que aconteceu no delicioso “MÚSICA DE SARAU” um pouco de imagem e poesia!

A palavra pode ser única.
Mas da dose depende
Sua verdadeira essência.
Nela pode estar o encontro,
Mas também pode estar o vazio,
E certamente contempla o silêncio.
E ela é mesmo capaz de acordar os homens,
Como dizia o poeta.
É na palavra, dita ou escrita,
Que moram os anseios,
Que reside quem somos.
Mas a palavra quando vira música
Ganha novos contornos.
E na Música de Sarau,
Feita de verdadeiras palavras,
Construída pela alma poética,
Mora a delícia
De reencontrar o amigo da vida!


Esse post diferente é para dizer que sempre vale a pena reconhecer na palavra amiga e conhecida o novo e inesperado som que ansiosamente aguardamos. O disco Música de Sarau prova que é possível redescobrir alguém mesmo naquela pessoa já infinitamente conhecida. Eros Trovador se junta a uma boa trupe de músicos para fazer poesia em músicas deliciosas de ouvir e sentir. Música que vale a pena para os apaixonados pelo som, pelas palavras e/ou pelas imagens. Curta a Música de Sarau.